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| Introdução:: |
fonte: uol.com.br
Futebol é uma paixão
nacional. Embora seja um autêntico chavão, a frase é uma das que melhor
descreve a identificação entre o brasileiro e o esporte cuja exata origem
ainda é incerta. Rivalidade, raça, habilidade, arte, amor, ódio...
realmente, são inúmeros os ingredientes e emoções que envolvem o futebol,
para o qual o Brasil revelou craques reverenciados por todo o planeta.
"FIFA", que adentrou aos gramados virtuais em 1994, ainda na era dos 16
bits, é certamente a mais duradoura e fiel de todos os games de futebol. O
grande trunfo da produtora EA Sports sempre foi a licença exclusiva com a
entidade máxima do futebol, que lhe garante os direitos de utilizar atletas,
times, patrocinadores e uniformes reais. Contudo, a popularização de "Winning
Eleven", da Konami, jogo mais focado na simulação do esporte, ajudou a
rotular FIFA como um jogo "arcade", ou seja, mais simples de jogar - ou
menos realista, como dizem os fãs de "Winning Eleven".
É bem verdade que, de uns anos pra cá, a franquia resolveu assumir um pouco
mais esse rótulo "arcade" mas, ao mesmo tempo, sem deixar de implementar
melhorias a cada versão. Algumas propuseram mudanças significativas, outras
nem tanto, mas, felizmente, "FIFA 06" joga no segundo time, o time vencedor.
Pimba na gorduchina
Uma das características que o brasileiro mais valoriza em "FIFA", em
especial a versão para PC, é a "localização" do produto, jargão que define o
processo de adequar o jogo ao gosto local. E "FIFA 06", não renega a
tradição, começando por trazer 16 equipes brasileiras, as mesmas da versão
anterior: Atlético Mineiro, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Bahia,
Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Atlético Paranaense,
Santos, São Caetano, São Paulo, Vasco da Gama e Vitória.
Cada um, como não poderia deixar de ser, tem uniformes e escalações reais,
além de bastante atualizadas, haja visto que as estatísticas foram fecheadas
em 24 de agosto de 2005, pouco mais de um mês antes do lançamento oficial do
jogo. Portanto, a resposta é sim: Robinho, ex-craque do Santos, joga pelo
Real Madrid, da Espanha, em FIFA 06. Aliás, mais que isso: ele é o camisa 10
do time, titular intocável, e a torcida já faz coro para gritar seu nome.
Para completar, ele pedala (se bem que o drible é válido para qualquer
atleta do jogo) e está com uma aparência fiel - bastante diferente do que
UOL viu ao testar uma versão alfa, ainda inacabada, do game.
E a localização tupiniquim não pára por aí: o jogo está totalmente em
português, com narração de Milton Leite (Sportv) e comentários de Rogério
Waughan (ESPN Brasil). Além disso, é possível jogar com os times brasileiros
no modo Career, sobre o qual falaremos mais à frente, enquanto se vê
bandeiras decorando o estádio e se ouve gritos da torcida (com o São Paulo,
por exemplo, o famoso "Eô, Eô, Tricolor, Tricolor" ajuda a empurrar o
tricampeão da Libertadores, assim como em uma autêntica partida no Morumbi).
Um outro brasileiro que mereceu especial destaque é Ronaldinho, que
atualmente encanta os torcedores pelo Barcelona, da Espanha. Basta jogar
pelo (ou contra o) Barça para perceber que o brasileiro realmente faz a
diferença. Também pudera: ele ilustra a capa de "FIFA 06", ao lado de Wayne
Rooney e Lucas Podolski, além de atuar como uma espécie de "consultor
futebolístico" da série.
Completam a "brasileiridade" do jogo três músicas de artistas brasileiros:
"Coco Nutz Mass" de boTECOeletro; "Nabika", de Carlinhos Brown & DJ Dero;
"Tranqüilo", de Marcelinho da Lua. No total, são 39 faixas, dos mais
variados países, que compõem a trilha sonora.
Você acerta o seu aí que eu arredondo o meu aqui... está valendo!
Depois de um belo aquecimento com as características "fora de campo" do
game, é hora de partir para o jogo de verdade. Felizmente, diferente do que
aconteceu de "FIFA 2004" para "FIFA 2005", a nova versão acrescenta
novidades relevantes à série, ajudando-a a se aproximar, em termos de
realismo, do arqui-rival "Winning Eleven" - embora, como já dissemos no
preview, acreditamos que comparar ambas as séries não seja muito adequado,
em nossa opinião.
Bem, indo direto ao assunto, os controles continuam basicamente os mesmos,
ou seja, quem já é veterano em "FIFA" não encontrará dificuldades para sair
com a bola nos pés logo de imediato. Porém, os mesmos veteranos certamente
notarão que agora os cruzamentos, as bolas alçadas e os lançamentos ganharam
mais variáveis e o game, como um todo, não está mais tão fácil
(principalmente a partir do nível de dificuldade "Profissional").
A jogabilidade está com fôlego de jogador que acabou de entrar em campo, já
que, ao mesmo tempo em que a EA Sports procurou tornar o game mais
competitivo, facilitou em outros detalhes. Quer um exemplo? Procure arriscar
mais chutes de fora da área e verá que, em "FIFA 06", terá mais sucesso que
em relação às versões anteriores.
O domínio de bola mereceu bastante atenção: agora, os atletas têm mais
pontos de colisão independentes (cabeça, joelho, pernas etc), o que dá
margem a reações mais realistas. Os jogadores, sem a bola nos pés,
movimentam-se mais e melhor, abrindo o lance e ampliando as possibilidades
de conclusão das jogadas. Em suma, cá entre nós, "FIFA" sempre teve um certo
clima artificial, mas em "FIFA 06" o comportamento dos jogadores, mais
coerente com a realidade, ajuda a envolver quem está do outro lado da tela.
Uma nova variável que ilustra com muita coerência o que foi dito no
parágrafo acima é a "química" do time. Em outras palavras, você pode ter uma
equipe recheada de jogadores galácticos no plantel, mas, quando se trata de
entrosamento, é só decepção: o atacante não corre para receber, a defesa
bate cabeça e por aí vai. É o que acontece um pouco com o Real Madrid, que
tem um belo time, mas apenas 38 pontos de química, enquanto o Barcelona tem
mais de 90.
Curiosamente, a nova regra da FIFA, que obriga o juiz a punir o atleta com
cartão vermelho em caso de carrinho, não foi implementada no jogo - às vezes
os carrinhos sequer são punidos com cartão amarelo.
O aprendiz (de técnico)
Nunca um modo Career de um jogo de futebol foi tão profundo quanto o de
"FIFA 06". Ao assumir o comando de sua equipe preferida, você não apenas
será o técnico, definindo escalações e táticas, mas também será uma espécie
de "cartola", definindo patrocinadores, negociando atletas, cuidando das
finanças e por aí vai. É pra Eurico Miranda nenhum botar defeito.
Tudo isso ao longo de 15 anos (dentro do ciclo de tempo do jogo,
obviamente). Cabe a você escolher, a cada partida, se deseja jogar, assistir
à uma simulação detalhada em texto ou então ir direto ao resultado da
confronto. É "FIFA" jogando nas onze, ou seja, atacando também de "Championship
Manager" ou "Total Club Manager".
Além disso, não faltam também os modos de amistoso, torneio, online e tudo o
mais que você já está acostumado a ver em "FIFA 06". Por falar em costume,
todos os seus progressos ao longo do jogo rendem pontos que podem ser
trocados por certos "extras", como equipes clássicas (com direito até a Zico
no plantel) e biografias de jogadores.
O jogo ainda inclui uma série de extras para deleite dos peladeiros
virtuais, com um "q" para a nostalgia, graças ao EA Retro, que exibe vídeo
de golaços de craques como Anderson, Ronaldinho e Rooney, além de uma
retrospectiva da série "FIFA" desde a primeira versão.
Gol de placa
A bola também não cai no visual: como sempre, o afinco em recriar as faces e
mesmo o físico dos craques mais notáveis merece destaque. A torcida continua
não sendo das mais realistas, bem como os efeitos climáticos, mas, de fato,
até onde isso é importante?
Está certo que a Electronic Arts, certas vezes, faz um marketing demasiado
em cima de suas franquias, criando "recursos" para disfarçar a falta de
novidades, mas não é esse o caso aqui. O jogo é duradouro e muitos de seus
segredos, como dribles especiais, exigem treinamento dedicado até serem
dominados por completo.
O jogo não leva nota máxima porque ainda há o que ser melhor trabalhado para
que venha a merecê-la, contudo, o abismo que separava "Winning Eleven" de
"FIFA" está bastante menor que anos atrás. A série está no caminho certo:
caprichando mais nas reações dos jogadores, na criação das jogadas e no
fator "replay", que aumenta a longevidade, num futuro próximo "FIFA" pode
receber uma nota perfeição. Basta manter esse ritmo e, quem sabe, as
próximas versões (e eles absolutamente virão) não saiam ainda melhores.
O que vale, no final das contas, é a diversão e o desafio. E isso "FIFA 06"
tem de sobra. Para os adeptos da série, o jogo é um verdadeiro banquete, com
pontos positivos mantidos e outros mais adicionados; para os que torcem o
nariz para "FIFA, aqui vai a notícia: continua sendo "FIFA", mas está
indiscutivelmente melhor. Por isso, mesmo quem não gosta da franquia deveria
se arriscar. |
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